Abstract:
Esta dissertação investiga o protagonismo de artistas negras de Porto Alegre e como seus processos criativos contribuem para o conceito de design feminista. A pesquisa surge da ausência de referências que reconheçam essas mulheres como protagonistas no campo artístico e acadêmico. Para isso, discute conceitos como arte, feminismo negro, criatividade negra e design feminista, dialogando com autoras como bell hooks, Angela Davis, Joice Berth, Lélia Gonzalez e Sasha Costanza-Chock. O problema central é compreender como os processos criativos dessas artistas dialogam com a abordagem do design feminista. A pesquisa, de caráter qualitativo, envolveu revisão bibliográfica e entrevistas em profundidade com quatro artistas negras: Fayola Ferreira, Karla Oliveira, Mitti Mendonça e Pâmela Zorn. As narrativas revelam estratégias criativas e a força da coletividade como ferramenta de resistência. Os resultados indicam que, embora a população negra represente a maioria no Brasil, sua presença no setor cultural não reflete essa proporção, especialmente em espaços de valorização. Diante disso, esta dissertação reforça a importância de dar visibilidade a essas produções, registrando histórias e processos que, conectados a perspectivas feministas e antirracistas, contribuem para transformar realidades. Conclui-se que o processo criativo das artistas oferece caminhos potentes para aprimorar a abordagem do design feminista, reforçando que não há inovação sem inclusão e feminismo negro.