Resumen:
A Cúrcuma Longa L. é pertencente da família Zingiberaceae, nativa do sudoeste da Ásia, principalmente na China e Índia, responsável por 90% da produção total no mundo (ARAÚJO; LEON, 2001; SALEHI; RODRIGUES; PERON, 2021). Socialmente, contribui para a medicina tradicional, práticas culturais e educação em saúde. Economicamente, possui um impacto positivo na agricultura, indústria de especiarias, área farmacêutica e cosmética (MOGHADAMTOUSI, et al., 2014). A combinação desses fatores destaca a cúrcuma como um recurso valioso tanto para a saúde das comunidades quanto para o desenvolvimento econômico. O rizoma da cúrcuma, popularmente conhecido como açafrão-da-terra, é a parte da planta rica em compostos bioativos, notadamente a curcumina, que lhe confere a cor amarelo vibrante e grande parte de suas propriedades terapêuticas. Após a colheita, os rizomas são submetidos a processos de cozimento, secagem e moagem para se obter o pó utilizado como especiaria na culinária e como insumo nas indústrias alimentícia e farmacêutica (SINGH et al., 2010). Os subprodutos da Cúrcuma Longa L., como as folhas, de acordo com estudos recentes, também possuem propriedades bioativas. Entretanto, são frequentemente tratadas como subproduto de baixo ou nenhum valor. Na cadeia produtiva da cúrcuma, as folhas são descartadas ou incineradas no campo gerando um resíduo ambiental de alto custo de descarte (ELAMIN, et al., 2021; MOGHADAMTOUSI, et al., 2014). Estudos recentes investigaram a extração de óleos essenciais das folhas, que demonstraram possuir atividades antimicrobiana e antioxidante, com potencial aplicação em embalagens ativas para alimentos (GOVINDAKARN et al., 2023). Os óleos essenciais podem ser extraídos a partir das folhas, rizomas, caules e, a sua utilização em aplicações comerciais, apesar de promissora, é limitada por apresentar baixa biodisponibilidade e solubilidade. Uma alternativa é a aplicação em sistemas de entrega nanométricos, para solucionar essas questões, tais como as nanoemulsões. O tamanho de partícula reduzido e as cargas superficiais das nanoemulsões podem influenciar no sistema de liberação, interação com sítios moleculares, além de retardar a perda por volatilização, permitindo a utilização de menores concentrações em relação ao óleo essencial bruto e a redução da degradação pela luz (ELAMIN, et al., 2021; GHADERI, et al., 2017; PRAKASH et al., 2018).
As nanoemulsões de Cúrcuma longa L. tem demonstrado potencial significativo na melhoria da atividade antimicrobiana devido às suas propriedades físico-químicas. Os estudos indicam que a formulação em nanoemulsão pode aumentar a eficácia antimicrobiana ao melhorar a dispersão e estabilidade dos compostos bioativos, permitindo uma melhor interação com os microrganismos (ZHANG et al., 2021). O tamanho reduzido das partículas, geralmente entre 20-200 nanômetros (nm), potencializa essa ação, aumentando a penetração na membrana celular dos microrganismos (KUMAR et al., 2022). Outras características das nanoemulsões, como carga superficial e viscosidade, influenciam diretamente a eficácia antimicrobiana, sugerindo que ajustes na formulação podem potencializar sua ação bioativa (PATEL; SINGH, 2023). A carga superficial e a viscosidade influenciam a eficácia antimicrobiana ao modularem a interação entre a nanoemulsão e o patógeno. Uma carga positiva (catiônica) promove atração eletrostática e fusão com a membrana microbiana negativa, enquanto a viscosidade adequada aumenta a mucoadesão e o tempo de contato da formulação (HENOSTROZA, 2018). Essa combinação otimiza a desestabilização da estrutura celular, resultando em uma maior atividade antimicrobiana (MORAIS et al., 2021). Dessa maneira, o objetivo deste trabalho foi caracterizar a composição química, produzir nanoemulsões do óleo essencial das folhas de Cúrcuma Longa L., avaliar a citotoxicidade e a atividade antimicrobiana.