Resumen:
A presente tese investigou a contaminação por microplásticos (MPs), um
xenobiótico presente no meio ambiente, em uma espécie de peixe encontrada no Rio
dos Sinos, RS. O objetivo principal foi de analisar a contaminação de MPs no
cérebro, fígado, rim e músculo fígado, cérebro, rim e tecido muscular de peixes da
espécie Cyphocharax voga. Como hipótese do estudo foi testada a existência de
diferenças significativas na concentração de partículas plásticas nos órgãos
estudados de 54 indivíduos, sendo 25 machos e 29 fêmeas. Para a identificação dos
MPs foi utilizada a técnica de marcação química com o uso de corante Nile Red e
posterior análise em microscópio de fluorescência. Os resultados indicaram maior
concentração média de MPs/g no cérebro (192±124 MP/g), seguida pelo fígado
(65±37 MP/g), rim (47±25 MP/g) e tecido muscular (39±24 MP/g). A análise também
revelou diferenças significativas na contaminação de MPs entre os sexos dos peixes
no cérebro e no fígado . Observou-se uma correlação significativa média entre o
fígado e o rim (p = 0,004; r = –0,481), bem como entre o cérebro e o rim (p = 0,012;
r = –0,424). Além disso, os resultados evidenciam presença de MPs em todas as
partes amostradas e reforçam o cérebro como órgão sensível para
biomonitoramento. Fragmentos de MPs foram a forma observada em maior
quantidade, avaliada como significativamente diferente entre as demais
(espumas/filmes, esferas e fibras). Embora não tenha sido encontrada correlação
entre a concentração de MPs e o fator de condição (Kn), um dos objetivos
secundários desse estudo, os resultados da pesquisa confirmam a hipótese inicial,
evidenciando a existência de diferenças na contaminação de MPs em cérebro,
fígado, rim e tecido muscular dos organismos aquáticos e a necessidade de
monitoramento contínuo da poluição por MPs em ambientes impactados pela ação
humana. Este trabalho oferece conhecimentos importantes sobre a ocorrência de
MPs em peixes de água doce, que podem ser úteis para estudos futuros sobre os
perigos desses poluentes para a saúde dos ambientes aquáticos, já que podem ser
considerados como modelo para outros vertebrados, inclusive humanos.